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O Nomadismo e a Economia Criativa

Publicado em : 13/04/2016

Vivemos hoje o paradigma da contemporaneidade.
O sedentarismo e o nomadismo. O sedentarismo daqueles que têm acesso à internet, aos meios de comunicação e às facilidades que a evolução tecnológica propicia.

O nomadismo de um mundo sem fronteiras físicas, onde territórios transpõem barreiras pelo deslocamento de pessoas e informações por onde forem.

Qual será a forma e os meios que mais influenciam e fundamentam as construções simbólicas e a economia da cultura goiana hoje?

O nômade, historicamente, é conhecido por ser aquele que carece de domicílio, que vive errante. Martin Heidegger, no seu livro Ser e Tempo, afirma que a linguagem é o domicílio do ser. Para se adaptar à natureza e à vida, as pessoas precisaram muitas vezes se deslocar e aprender novas línguas e culturas. Elas também levaram consigo seus símbolos, história e valores.

Matrizes culturais mesclam-se para permitir a convivência e a subsistência. Tecnologias e ferramentas são integradas e se plasmam às novas naturezas e ambientes. O sedentário pode ser um nômade tecnológico e o nômade pode ser um sedentário tecnológico.

A diversidade de produções, construções simbólicas coletivas e suas representações dominam diversos espaços e lugares. Saberes e fazeres estão num processo dinâmico na forja de identidades, que são pura manifestação da fruidez cultural do mundo atual.

Goiás, talvez por estar literalmente no coração do Brasil, viveu na sua constituição a influência de migrantes que consigo trouxeram suas linguagens, seus sabores, aromas e texturas. Foi esse nomadismo cultural que através do tempo foi amalgamando as culturas indígenas, africanas, européias, paulistas, mineiras, maranhenses, paraenses, baianas num grande mosaico borbulhante.

Atualmente estamos “on line” 24 horas, ou seja, em linha, em direção, em nosso domicílio eletrônico, que permite a presença na ausência.

Somos sedentários nômades telemáticos que, desterritorializados, podemos correr o mundo sem sair do lugar. Essa tecnologia estrutura um Goiás multicultural onde mais do que o cultivo da terra, nossa cultura é do acesso, da experimentação, da experiência e da virtualização.

Mas essa frente não é a realidade em todo Goiás. Ainda temos muito de terra, de etnias preservadas, de gastronomia autêntica e de toques sem teclados. Tocamo-nos e somos tocados. Nós nos vemos, olho no olho.

Realidades tão díspares que criam uma simbiose muito rica entre nossos territórios e tempos que descortinam e ofertam alteridades e diversidades como a cena das congadas dentro de Goiânia e do rock independente de Inhumas, das curvas do Centro Cultural Oscar Niemeyer ao adobe da comunidade kalunga.

Esse nomadismo cultural que nos permite vagar por tantas identidades e espaços, aguça e inspira nossa criatividade. Podemos então refletir que essa diversidade não só de oferta, mas de meios, de processos, de ambientes tão antagônicos, de diferentes gerações coexistindo, é que esteja propiciando tanta criação e realização de sonhos em Goiás que os grandes centros já não conseguem mais gerar, fortalecendo e instaurando uma nova economia, a Economia Criativa.

Goiás sempre esteve na periferia do que é centro no Brasil. São essas formas e meios da periferia que estão criando este outro tempo com novas cenas.

Goiás torna-se centro capaz na produção de uma cultura vigorosa, dialogando com qualquer território físico ou virtual do planeta, pelas suas especificidades, autenticidade e liberdade.

A amnésia do país talvez nos tenha feito bem.

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